Mortandade de Peixes no Acre Revela Crise Ambiental Urgente
Carina Castelo Branco/Sema
Análise aponta que baixa concentração de oxigênio é a causa das mortes
A morte massiva de peixes nos igarapés do Acre, resultado da alarmante diminuição de oxigênio nas águas, serve como um grito de alerta sobre os impactos das mudanças climáticas e da poluição em nosso ecossistema.
A recente mortandade de peixes no Igarapé Judia, situado na Estrada do Quixadá, e no Rio Acre, verificada em outubro deste ano, foi atribuída à preocupante baixa concentração de oxigênio nas águas, conforme indicado pela nota técnica emitida após uma investigação realizada por equipes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente (Imac), em colaboração com a Universidade Federal do Acre (Ufac).
Moradores locais, afligidos pela visão de peixes em busca de oxigênio na superfície do Igarapé Judia, vivenciaram um episódio que evidencia a crise ambiental enfrentada pela região. Como expressou o agricultor Pedro Nascimento, a situação é alarmante: ‘Se fosse recolher aquele peixe morto, ia dar mais de uma tonelada’.
O Ministério Público do Acre (MP-AC) está conduzindo investigações, estabelecendo prazos para que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia) apresente relatórios sobre as fiscalizações realizadas. As análises revelaram que a mortalidade dos peixes está ligada a uma combinação de fatores climáticos e poluentes, culminando em níveis perigosamente baixos de oxigênio dissolvido na água.
A nota técnica expõe que, durante a semana em que ocorreram as mortes, Rio Branco enfrentou temperaturas extremas, atingindo até 38,90ºC. Este aumento de temperatura não apenas reduziu a solubilidade do oxigênio na água, como também elevou a demanda metabólica dos peixes, acentuando suas vulnerabilidades às variações climáticas.
Fatores adicionais que contribuíram para essa tragédia ambiental incluem:
- A combinação de altas temperaturas com um nível de água abaixo do mínimo histórico,
- O acúmulo de resíduos poluentes em igarapés durante o período de estiagem, que foram jogados nos rios após as chuvas,
- O surgimento de material particulado suspenso, dificultando a respiração dos peixes ao obstruir suas brânquias.
Essa situação não é apenas uma tragédia local, mas um reflexo de um problema muito mais amplo. Nós, como sociedade, precisamos urgentemente reconhecer e agir sobre a crise ambiental que permeia nossos ecossistemas, protegendo a vida que ainda resiste e buscando soluções sustentáveis para reverter as consequências das ações humanas.
O lamento dos peixes mortos nos chama à responsabilidade: é um sinal de alerta para a necessidade urgente de preservação ambiental e de ações efetivas contra as causas subjacentes da degradação ambiental. O futuro dos nossos rios e a saúde do nosso planeta dependem da ação coletiva e consciente de todos nós.



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